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As Tábuas do Tabernáculo



O Tabernáculo

Principais pontos nessa mensagem:

O tabernáculo era uma espécie de grande tenda, onde os israelitas apresentavam suas ofertas a Deus, a fim de adorá-Lo e de serem perdoados de seus pecados. Deus disse a Moisés que o tabernáculo deveria ser edificado de acordo com o modelo apresentado no monte Sinai (Êx 26:30). Portanto, tudo que era feito naquela tenda estava de acordo com a vontade de Deus e tinha uma função específica. Além disso, á luz do Novo Testamento, sabemos que tudo o que foi escrito no Antigo Testamento é para nosso ensino (1 Co 10:11). Desse modo, cada item do tabernáculo representa uma importante realidade espiritual para os cristãos.

Madeira de Acácia

Neste capítulo, estudaremos sobre as tábuas do tabernáculo. A primeira vista, parece não haver nada de "espiritual" nas tábuas, mas, na verdade, a aplicação espiritual adequada delas nos ajudará a entender nossa função no Corpo de Cristo e a maneira como o Senhor edifica Sua igreja.

Êxodo 26:15-25 diz que as tábuas a serem usadas no tabernáculo deveriam ser de madeira de acácia. Cada uma delas deveria ter dez côvados de comprimento e um côvado e meio de largura. Todas as tábuas seriam colocadas verticalmente: vinte delas para o lado do sul, debaixo das quais haveria quarenta bases de prata e quarenta encaixes, duas bases e dois encaixes sob cada tábua. Haveria também vinte tábuas para o lado do norte, com o mesmo número de bases de prata e de encaixes. Para o lado leste do tabernáculo, para o ocidente, deveriam ser feitas seis tábuas, mais duas tábuas para os cantos do tabernáculo.

Nesses versículos vemos quarenta e oito tábuas com dois encaixes nas extremidades inferiores, que serviriam para firmar as tábuas nas bases, a fim de que permanecessem firmes, em pé. As tábuas eram de acácia, madeira nobre que dificilmente entorta ou empena. A acácia é uma árvore que cresce lentamente sob grandes chuvas, ventos fortes e intempéries. De modo geral, na Bíblia, os vegetais e as plantas representam a natureza humana. Assim, a madeira de acácia1 representa uma natureza humana elevada e firme. Há certos vegetais, como o cogumelo, que crescem e murcham no mesmo dia. Porém, para sermos úteis a Deus, não podemos crescer como um cogumelo.

Deus precisa que tenhamos uma vida humana elevada, provada e firme, como a acácia. Muitos cristãos sonham com a maturidade espiritual instantânea, isto é, desejam alcançar a plenitude da estatura de Cristo da noite para o dia. No entanto, são desleixados em seu caráter e facilmente desanimam diante das dificuldades. Tal tipo de viver impede que a maturidade espiritual seja alcançada. A vida humana adequada para Deus é tipificada pela acácia, um tipo de madeira que pode resistir ao sofrimento e à tribulação. Na verdade, quanto mais forte sopra o vento, tentando derrubá-la, mais raízes ela cria e se arraiga na terra.

Deus permite que passemos por muitos sofrimentos para que, quanto mais sofrermos, mais profundas se tornem nossas raízes espirituais. Não podemos ser como plantas que crescem em estufas, incapazes de resistir ao vento ou ao sol. Antes, devemos ser resistentes, pois Deus nos plantou em "altas montanhas" e podemos suportar aflições e sofrimentos, pois as provações nos levam a buscar mais e mais a Deus. Deus permite os sofrimentos, pois, por meio deles, deixamos de confiar em nós mesmos ao percebermos a nossa fragilidade, e nos entregamos aos cuidados do Senhor, a fim de que Ele complete, assim, Sua obra de salvação em nós.

Necessidade de Cooperação

As tábuas do tabernáculo tinham todas igual medida (dez côvados de comprimentos e um e meio de largura) e eram recobertas de ouro2. Na Bíblia, o ouro tipifica a natureza de Deus. Isso significa que mesmo a mais elevada humanidade ainda não é suficiente para a edificação da igreja. Deus, na verdade, não aceita nada que tenha origem no homem caído. Como vimos no capítulo anterior, Deus precisa dispensar-se para o homem, a fim de torná-lo útil para a edificação da igreja. Por isso, na nossa salvação fomos "recobertos" com a natureza divina, conforme 2 Pe 1:4:

Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. 2 Pedro 1:4

Por que as tábuas tinham um côvado e meio de largura? Não seria mais fácil fazê-las com dois côvados, uma medida completa? Há um significado espiritual nessa medida incompleta3: um côvado e meio indica a necessidade de cooperação. Colocando-se duas tábuas juntas, elas somam três côvados. Além disso, o número três indica duas importantes verdades: a ressurreição e o Deus Triúno. Que nos é, então, revelado pela largura das tábuas? Quando cooperamos com os irmãos no serviço a Deus, pelo poder da ressurreição o Deus Triúno é expresso. Cada irmão pode ter certa manifestação de Deus; no entanto, quando estamos cooperando com outros irmãos, essa manifestação é muito mais visível e gloriosa. Servir individualmente é fácil, pois não há tanta restrição, não é preciso negar a vida da alma e pode-se até mesmo fugir das experiÊncias de cruz. Mas servindo junto com outros, experimenta-se a morte do ego e, por conseguinte, a ressurreição, e assim temos o serviço adequado a Deus.

É lamentável que haja cristãos individualistas, que preferem fazer tudo sozinhos. São cristãos muito habilidosos para trabalhar sozinhos, mas incapazes de cooperar com outros e de aceitar a cooperação de outros. Cristãos que agem assim jamais crescem espiritualmente, pois pensam estar sempre certos, nunca aceitam a correção de ninguém, nunca são expostos por alguém de caráter diferente do seu. Se nosso desejo sincero é servir ao Senhor e também ganhar crescimento espiritual, precisamos ser colocados ao lado de outra "tábua de um côvado e meio" — somente juntos crescermos em Sua vida e expressaremos plenamente a Deus.

Certamente, ao longo de nossa vida cristã, muitas vezes nos perguntamos por que o Senhor nos coloca junto de alguém de caráter tão diferente do nosso. Isso é verdade para o serviço na igreja e para o casamento: um é rápido e o outro, lento; um é introvertido, o outro, extrovertidos; um é ponderado, enquanto o outro é precipitado em suas decisões. Que devemos fazer? Só podemos dizer: "amém" ao arranjo soberano de Deus. Permanecendo junto, com pessoas diferentes de nós, teremos oportunidade de crescer espiritualmente. Por outro lado, se rejeitarmos isso e quisermos, como companhia, apenas os irmãos com quem nos identificamos facilmente por serem parecidos conosco ou se preferirmos fazer tudo sozinhos, não estaremos vivendo a vida da igreja de maneira prática. Talvez nas organizações cristãs seja possível encontrar grandes "estrelas", mas na igreja, por causa da unidade, precisamos estar coordenados com todos os irmãos, sem buscar nenhuma atenção ou reconhecimento especiais para nosso serviço.

Tamanho Uniforme

Além de ter igual largura, todas as tábuas tinham o mesmo comprimento, dez côvados. Como elas representam os cristãos individualmente, o fato de serem da mesma altura indica que, aos olhos de Deus, todos os Seus filhos são iguais e igualmente importantes. Deus jamais desejou que apenas um pequeno e privilegiado grupo de cristãos O servisse, enquanto o restante permanece passivo, apenas assistindo ou ouvindo. A vida divina que recebemos na regeneração capacita-nos a servir ao Senhor, funcionando em Seu Corpo como membros vivos (cf. 1 CO 14:31).

Por exemplo, quando nos reunimos com alguns irmãos numa casa, para uma comunhão informal, todos ali são iguais, não deve haver líderes e todos devem funcionar4. Cada cristão recebeu do Senhor diferentes talentos; alguns receberam um talento, outros, dois, e outros, cinco talentos. De maneira geral, é suficiente usarmos apenas um talento nessas reuniões. Mesmo que sejamos pessoas de cinco talentos, devemos usar apenas um. Se usarmos todas as nossas capacidades e habilidades espirituais, inibiremos os de um talento de usarem o deles. A tradição cristã estabeleceu que os irmãos de dois e de cinco talentos devem liderar as reuniões e que somente eles podem falar por Deus. No entanto, de acordo com a revelação da Bíblia, especialmente nas epístolas aos romanos, aos coríntios e aos efésios, vemos que essa prática é totalmente contrária à vontade de Deus.

É preciso ressaltar isso: a Bíblia revela que todos os cristãos podem falar por Deus. Talvez tenhamos dificuldade de compreender essa verdade por estarmos habituados apenas a ouvir os irmãos de cinco talentos. Sem dúvida, é muito bom que ouçamos o ministrar da Palavra de Deus por meio de cristãos maduros e experientes. Por falarem por Deus, tais irmãos recebem mais da Sua graça. Mas, e nós que apenas ouvimos? Onde está o exercitar do dom que recebemos? Que graça receberemos, se não usarmos o dom que Deus nos deu? Cristo não deseja que em Seu Corpo haja alguns membros superdesenvolvidos, e outros atrofiados. Quem fala muito é como uma boca imensa, enquanto os que apenas ouvem são como ouvidos imensos. Isso não é normal, além de ser muito feio. Em vez disso, o Corpo de Cristo deve ser harmonioso e belo, edificado por meio do igual crescimento espiritual de cada membro.

Deus deseja que todos os membros se desenvolvam de maneira uniforme por meio de funcionar, falando por Deus, compartilhando experiências espirituais pessoais. As pequenas reuniões, que podemos chamar de reuniões de casa ou de grupos familiares, são uma oportunidade ideal para que todos os membros funcionem. Nessas reuniões, os irmãos de cinco talentos devem usar somente um deles. Que fazer com os quatro restantes? De maneira oculta, usá-los para produzir o funcionamento e o aperfeiçoamento do membro de um talento.

Há um princípio5 a ser aprendido em Ezequiel 1 e em Isaías 6. Os querubins mencionados em Ezequiel 1 tinham quatro asas, mas não usavam todas para voar: com duas asas eles cobriam o corpo e com duas, voavam. Em Isaías 6:2 há serafins com seis asas, que voavam com duas, com duas cobriam o rosto e com as duas outras cobriam os pés. Dessa forma, eles ficavam totalmente ocultos, encobertos. Isso deve nortear nosso "funcionar" entre outros cristãos.

Há cristãos de "seis asas" que fazem questão de usar todas, não dando a outros nenhuma oportunidade de usar seus dons. Aparentemente, usar todos os talentos é ser muito espiritual, mas, na verdade, pode não passar de mera demonstração de individualismo, orgulho e egoísmo. Aos olhos de Deus, somos todos iguais, temos todos a mesma altura. Se houver um irmão com "sete côvados", temos de ajudá-lo a crescer até atingir dez côvados; se alguém tem "doze côvados", deve ser ajudado a funcionar como alguém de dez.

Cristãos Fortes

Em Êxodo 26:23 há menção de duas tábuas para os cantos da parte posterior do tabernáculo. Numa construção, as colunas mais importantes são as dos cantos. No edifício de Deus, que é a igreja, o Senhor Jesus á a pedra angular, a pedra de canto, 1 Pe 2:6:

Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido.

Esse tipo de pedra servia para unir dois lados, e era, para isso, muito firme e resistente. No tabernáculo, essa pedra corresponde às tábuas dos cantos6, que eram simples na parte de cima, mas eram duplas por baixo. Isso significa que elas precisavam ser reforçadas, a fim de ligar duas paredes.

Na Bíblia e na história da igreja encontramos pessoas que podemos comparar com essas tábuas reforçadas do tabernáculo. João Batista foi uma delas. Por um lado, ele pertence ao Antigo Testamento. Na verdade, ele terminou a dispensação da lei e introduziu a dispensação da graça e da verdade, como precursor do Senhor Jesus Cristo. Pessoas como ele, usadas por Deus para mudar uma era, precisam ser cheias de Espírito, por isso são consideradas tábuas de canto. Paulo e Barnabé também foram homens de transição, mudando a era do judaísmo para a da igreja. Como pedras angulares, eles foram fortes, pessoas com uma porção especial do Espírito Santo. Como por exemplo de tábuas de canto temos na história da igreja, por exemplo, Martinho Lutero e Watchman Nee, "tábuas de canto" que puderam ser usados por Deus, por serem firmes em sua fé e cheios do Espírito Santo.

Não sabemos qual será a necessidade de Deus no futuro, mas certamente Ele necessitará de cristãos fortes. Tais pessoas têm "dez côvados de comprimento" como as outras — não são cristãos especiais -; contudo, são reforçadas e "dobradas" , são capazes de sustentar o testemunho de Deus, graças à porção especial do Espírito Santo. Precisamos almejar ser pessoas assim, a fim de que o tabernáculo de Deus, que hoje é a igreja, seja erigido solidamente, dando um claro testemunho de Deus entre os homens.

Obediência e Submissão

Nessas tábuas havia argolas de ouro (Êx 26:24). Na Bíblia, o ouro representa a natureza de Deus, e as argolas, a obra do Espírito Santo. Quando o servo de Abraão foi procurar uma esposa para Isaque, ao encontrar Rebeca pôs-lhe um pendente (uma argola) no nariz7 (Gn 24:47), adorno que as mulheres em Israel usavam como sinal de obediência e submissão. A genuína submissão e obediência ao Senhor só pode ser gerada em nós pela obra do Espírito Santo. Em nós mesmos somos rebeldes ao Senhor, rejeitando prontamente Sua vontade. Portanto, precisamos permitir que o Espírito Santo trabalhe em nós, colocando em nós argolas de ouro. Se formos submissos a Deus, rendendo-Lhe nossas próprias escolhas e decisões, cooperamos para que o tabernáculo seja mais rapidamente edificado.

Responsabilidade de Unir

Em Êxodo 26:26-27 lemos: "Farás travessas de madeira de acácia; cinco para as tábuas dum lado do tabernáculo, cinco para as tábuas do outro lado do tabernáculo e cinco para as tábuas do tabernáculo ao lado posterior que olha para o ocidente". Na Bíblia, o número cinco indica responsabilidade8. Podemos entender isso com a ilustração simples e clara dos dedos da nossa mão: não importando quão fortes sejamos, se quisermos segurar algo com firmeza temos de usar os cinco dedos. Sem usar o polegar, não é possível segurar nada com firmeza.

Certamente, para a obra de edificação da casa de Deus é necessário termos responsabilidade. No entanto, a responsabilidade natural do homem não é suficiente para Deus (é com tentar segurar algo com quatro dedos). Para que possamos ser úteis a Deus, arcando com a responsabilidade da Sua obra, precisamos ter Ele mesmo adicionado a nós. Por isso o número cinco aparece no tabernáculo. Cinco é composto por um mais quatro. O número um refere-se a Deus, por ser Ele o único, e quatro refere-se à criação dos seres vivos, da qual o homem á a "obra-prima". Portanto, a responsabilidade é útil para Deus; é a que resulta do mesclar, do misturar de Deus com o homem. Quando recebemos a vida de Deus no momento da regeneração, deu-se início ao processo de Deus misturar-se mais e mais conosco, dando-nos mais de Sua natureza e vida. Desse modo, podemos ser usados por Ele em Sua edificação e podemos assumir a responsabilidade que nos for delegada.

No tabernáculo, então, havia grupos de cinco travessas com a função de unir todas as vinte tábuas. Elas eram feitas de madeira de acácia recobertas com ouro. Isso significa que na igreja temos de assumir a responsabilidade de unir os irmãos, de manter a unidade entre nós. Isso é a função delegada por Deus para cada um de nós. E a madeira revestida com ouro implica que somente a natureza divina adicionada à natureza humana pode manter-nos unidos uns aos outros.

As Bases do Tabernáculo

Ao pé de cada tábua havia duas bases. Elas serviram para impedir que as tábuas pendessem para frente ou para trás. Se as tábuas não fossem firmes, todo o tabernáculo desabaria. Do mesmo modo, precisamos ser firmados e fundamentados na igreja por meio do Espírito Santo, a fim de não cairmos. A casa de Deus precisa de cristãos fortes, que não sejam levados de um lado para o outro por serem imaturos espiritualmente (cf. Ef 4:14). Cada cristão deve buscar o Senhor com desespero, a fim de ser maduro e firme, uma "tábua" útil para a edificação da igreja.

Os Talentos

Essa tipologia do Antigo Testamento é plenamente cumprida e explicada na Epístola aos Efésios, especialmente no capítulo 4. Os versículos 1-3 dizem:

"Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por perseverar a unidade do Espírito no vínculo da paz".

Nesses versículos, Paulo apresenta o modo como devemos portar-nos na igreja e indica que só podemos alcançar esse padrão por meio do Espírito. Para podermos servir ao Senhor junto com outros irmãos, por exemplo, precisamos aprender a viver e a andar no espírito9, no qual o Espírito Santo habita. Se vivermos de acordo com o homem natural, o velho homem ou a vida da alma, estaremos cheios de opiniões diferentes, e isso certamente quebrará a unidade entre nós. Precisamos nos esforçar por permanecer no Espírito, precisamos permitir que o Espírito nos conduza à humildade e à submissão. Por meio do Espírito, nossas opiniões serão eliminadas e poderemos acolher a vontade do Senhor.

Para alcançar isso, as travessias são necessárias, referindo-se ao Espírito que nos dá unidade. Mas é importante lembrar que nós, individualmente, somos os canais para o fluir do Espírito. Assim, individualmente, precisamos levar a sério a incumbência de promover e manter a unidade entre os irmãos. Devemos ser os primeiros a negar a nós mesmos, nossas opiniões e preferências, a fim de que a unidade seja mantida. Para que a casa de Deus seja edificada, precisamos estar em unidade.

O versículo 2 menciona humildade, mansidão, longanimidade, amor, paz, e suportar uns aos outros. Todos esses itens são virtudes humanas. Contudo, as virtudes são limitadas. Como se diz popularmente, paciÊncia tem limite. Como, então, poderemos usar virtudes limitadas e finitas para a edificação da igreja? Quando Deus em Cristo esteve na terra, Ele experimentou todas as virtudes humanas e elevou-as — ninguém foi mais manso ou amou mais do que Ele. Quando nós recebemos o Senhor Jesus em nosso espírito por meio da regeneração, recebemos também essas virtudes humanas elevadas. Permanecendo no espírito podemos ser mansos e humildes, e podemos suportar as pessoas, amá-las e ter paz com elas.10 Somente no espírito temos as virtudes humanas elevadas por Cristo, necessárias para a edificação da igreja.

Por isso, para servir a Deus na igreja, precisamos estar no espírito. Somente por meio da mansidão, longanimidade e amor poderemos servir em unidade com outras pessoas tão diferentes de nós, e essas virtudes elevadas só encontramos em Cristo, que, como o Espírito, hoje habita em nosso espírito. A humildade, por exemplo, precisa estar presente em todos os que servem a Deus. Mas sabemos que todos os homens são orgulhosos, pois o orgulho é próprio da natureza humana caída. Mesmo a pessoa mais simples ou mais inculta é orgulhosa. Por outro lado, a Bíblia mostra que Deus condena completamente o orgulho, que nos torna inúteis para o Seu serviço (1 Tm 3:6; 1 Pe 5:5-6). Como, então, sermos humildes, a fim de poder servir a Deus e edificar Sua igreja? Somente vivendo no espírito a todo tempo. No espírito somos capazes de ajudar outros irmãos a permanecerem firmes na igreja, ajudando-os com humildade; somente no espírito somos capazes de manter a unidade, pois estaremos sempre dispostos a humilhar-nos em prol da unidade.

Nunca será demais ressaltar este ponto: para a edificação da casa de Deus é fundamental que sejamos humildes, mansos e pacientes por meio de usar o espírito. Um irmão com muitas "habilidades" espirituais precisa ser humilde ao reunir-se com outros, para não exibir seus "cinco talentos"; é preciso dar oportunidade para que os irmãos de apenas um talento também funcionem. Se determinado irmão é tímido ou não quer usar seu dom para edificar a igreja, como agir? Se dermos oportunidade à nossa natureza caída, vamos repreender ou desprezar um irmão assim; mas se usarmos o espírito, cuidaremos desse irmão com paciência, alimentando-o espiritualmente, até que ele possa funcionar na igreja.

Temos de ser humildes, pacientes e mansos. Em Mateus 5:3, 5 o Senhor disse: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus (...) Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra". De acordo com o padrão do mundo, quanto mais agressivo formos, mais sucesso obtemos. No entanto, na esfera espiritual, no reino dos céus, precisamos ser mansos para que, desse modo, vençamos.

Se nosso viver na igreja for caracterizado por essas virtudes, sentiremos a paz de Deus a todo tempo, e todos os irmãos serão encorajados a prosseguir no conhecimento de Cristo. O tabernáculo é uma ilustração muito clara a mostrar que precisamos cooperar uns com os outros e estar em unidade, graças ao trabalho do Espírito Santo em nós. Para obtermos isso, precisamos esforçar-nos diligentemente para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Desse modo, a igreja será edificada em amor segundo a justa cooperação de cada parte (Ef 4:16).

Fonte: Livro "A Visão do Tabernáculo", capítulo 2 — Dong Yu Lan

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Last Modified: Friday, 11/08/13 12:30:38 PM
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